# Verificação de identidade em bets, o que a Lei 14.790/2023 exige

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Norma explicada · UNIFOKAL · 25 de agosto de 2026 · 6 min de leitura · KYC

Reconhecimento facial obrigatório por lei, maioridade, conta no CPF do próprio apostador e deveres de PLD: o que a Lei 14.790/2023 e as Portarias SPA/MF 615 e 1.231 de 2024 exigem do cadastro de uma bet.

As apostas de quota fixa, as bets, existem legalmente no Brasil desde a [Lei 13.756/2018](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13756.htm), mas foi a [Lei 14.790, de 29 de dezembro de 2023](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14790.htm), que transformou o setor em atividade regulada de verdade: autorização do Ministério da Fazenda, regras de pagamento, deveres de prevenção à lavagem de dinheiro e, no centro de tudo, a obrigação de saber exatamente quem é o apostador.

Para quem opera ou constrói tecnologia para o setor, vale ler o que a lei diz com precisão, porque ela é rara em um ponto: em vez de exigir genericamente "identificação do cliente", ela nomeia a tecnologia. Este artigo percorre as exigências de identidade da lei e das portarias da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a SPA/MF, que as regulamentam.

## Reconhecimento facial é texto de lei, não escolha de produto

O artigo 23 da Lei 14.790/2023 determina que o agente operador de apostas adote procedimentos de identificação que permitam verificar a validade da identidade dos apostadores, "exigida a utilização da tecnologia de identificação e reconhecimento facial". Não há margem de interpretação: cadastro de bet sem biometria facial descumpre a lei.

Os parágrafos do mesmo artigo completam o desenho. O parágrafo 1º manda que os procedimentos incluam a obtenção, a verificação e a validação da autenticidade das informações de identificação, inclusive confrontando-as com bancos de dados públicos e privados. O parágrafo 2º exige a confirmação da identidade por meio de canais informados no cadastro, como e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens, o que na prática é a verificação de posse por código de uso único. Somando os três blocos, o legislador descreveu um fluxo completo: dado cadastral validado na fonte, rosto conferido por biometria e canal de contato provado.

## Quem não pode apostar, e por que isso vira requisito técnico

O artigo 26 da lei veda a participação, como apostador, de uma lista de pessoas: menores de 18 anos; donos, administradores e funcionários do próprio operador; agentes públicos com atribuição de regulação ou fiscalização da atividade; pessoas com acesso aos sistemas de apostas; pessoas capazes de influenciar o resultado dos eventos, como atletas, árbitros, técnicos e dirigentes; e pessoas diagnosticadas com ludopatia por laudo profissional. O parágrafo 1º declara nulas as apostas feitas em desacordo, e o parágrafo 2º estende parte das vedações a cônjuges, companheiros e parentes até o segundo grau.

A [Portaria SPA/MF 1.231, de 31 de julho de 2024](https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-spa/mf-n-1.231-de-31-de-julho-de-2024-575670297), que regulamenta o jogo responsável, converte a lista em dever operacional: seu artigo 8º obriga o operador a impedir o cadastro e o uso do sistema por essas pessoas. Impedir menor de idade exige verificar maioridade com documento e biometria, não com uma caixa de "declaro ter 18 anos"; as técnicas e seus limites estão no artigo sobre [verificação de idade mínima](https://unifokal.com/blog/verificacao-de-idade-minima). Impedir atleta e dirigente exige triagem contra listas, no mesmo espírito da triagem de pessoa exposta politicamente do sistema financeiro.

## O dinheiro só entra de conta do próprio apostador

O segundo pilar de identidade está no dinheiro. O artigo 22 da lei reserva a instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil a oferta das contas que movimentam apostas e prêmios. A [Portaria SPA/MF 615, de 16 de abril de 2024](https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-normativa-spa/mf-n-615-de-16-de-abril-de-2024-554928583), desce ao detalhe: define a conta cadastrada como conta de depósito ou de pagamento pré-paga de titularidade do apostador (art. 2º, II) e manda que aportes, retiradas e prêmios circulem exclusivamente por transferência eletrônica entre essa conta e a conta transacional do operador (art. 3º), entendendo por transferência eletrônica o Pix, a TED, o cartão de débito ou pré-pago e a transferência entre contas da mesma instituição.

O parágrafo 2º do artigo 3º veda expressamente o dinheiro em espécie, o boleto, o cheque, os pagamentos vindos de conta não cadastrada, os pagamentos de terceiros e o cartão de crédito ou qualquer instrumento pós-pago. O efeito prático: a titularidade da conta precisa bater com o CPF verificado no cadastro. Conferir esse vínculo é um controle de identidade tanto quanto a biometria, porque é ele que fecha a porta da conta laranja.

## PLD-FT também é problema de bet

O artigo 25 da Lei 14.790/2023 obriga o operador a monitorar apostas para caracterizá-las ou não como suspeitas de lavagem de dinheiro e a comunicar ao COAF, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, as operações com fundada suspeita. O artigo 24 completa com o registro de todas as operações, incluindo apostas, prêmios, saques e depósitos. É a mesma espinha dorsal que o sistema financeiro conhece da [Circular BCB 3.978/2020](https://unifokal.com/blog/circular-bcb-3978-pld-ft): conhecer o cliente, registrar, monitorar, comunicar. Quem vem do mercado financeiro reconhece o desenho; quem vem do entretenimento precisa aprendê-lo depressa.

## Traduzindo a norma em fluxo de cadastro

Juntando lei e portarias, o cadastro mínimo de uma bet em conformidade tem: coleta e validação do CPF contra a base cadastral; captura de documento e selfie com prova de vida; comparação biométrica entre rosto e documento; checagem de maioridade; confirmação de canal por código de uso único; e vínculo entre o CPF verificado e a conta bancária cadastrada. É exatamente a anatomia de um fluxo de verificação de identidade, e é o tipo de fluxo que oferecemos na UNIFOKAL, com a ressalva honesta que o leitor deve exigir de qualquer fornecedor: verificação bem feita atende requisitos da norma, mas não substitui a autorização da SPA/MF nem o programa de conformidade do operador.

Dois riscos merecem leitura própria. O primeiro é o ataque à própria biometria, porque um setor obrigado por lei a usar reconhecimento facial vira alvo preferencial de [deepfake e mídia sintética](https://unifokal.com/blog/deepfake-em-verificacao-remota). O segundo é o desenho do funil como um todo, porque cada etapa de verificação tem um ponto de vazamento correspondente, tema do artigo sobre [onde o funil de onboarding vaza](https://unifokal.com/blog/onboarding-digital-fraude).

## Fontes citadas

- Lei 14.790/2023, em especial os artigos 22 a 26, disponível no portal do Planalto
- Lei 13.756/2018, que criou a modalidade de aposta de quota fixa, disponível no portal do Planalto
- Portaria SPA/MF 615/2024, sobre as regras de pagamento, publicada no Diário Oficial da União
- Portaria SPA/MF 1.231/2024, sobre jogo responsável e deveres dos operadores, publicada no Diário Oficial da União
- COAF, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, destinatário das comunicações do artigo 25 da Lei 14.790/2023
