Coaf em números: comunicações, relatórios e multas em 2025

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O Relatório de Gestão Integrado 2025 do Coaf lido por quem comunica: 7,6 milhões de comunicações, 20.548 RIFs, R$ 96,9 milhões em multas e o destino da comunicação sem detalhe.

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Quem comunica ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vê o protocolo, não o que acontece do outro lado. O Relatório de Gestão Integrado 2025, que o próprio Coaf publica, dá a escala: a base reúne mais de 65 milhões de comunicações de operações, cerca de 7,6 milhões delas recebidas em 2025, e o ano produziu 20.548 Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs). A resposta curta para quem comunica: o volume é alto e a triagem do Coaf é por risco, então a comunicação que não descreve a atipicidade pode ficar parada na base; e, do lado da fiscalização do Coaf, a falta de comunicação foi a infração que mais pesou nas multas a empresas em 2025.

  • Em 2025, o Coaf recebeu cerca de 7,6 milhões de comunicações e produziu 20.548 RIFs, distribuídos em 23.576 difusões a autoridades no país e no exterior.
  • Comunicação suspeita sem "detalhamento mínimo da atipicidade identificada" pode ser diferida automaticamente: fica na base para consulta e não segue para análise.
  • O Coaf supervisiona diretamente 18.672 pessoas obrigadas cadastradas e estima que cerca de 649 mil outras deveriam estar cadastradas.
  • Em 2025, 37 processos sancionadores foram julgados e as multas somaram R$ 96,9 milhões; a não comunicação respondeu por 54% do valor médio das multas a empresas.

Quem comunica e o que o Coaf recebe

Comunica quem está no art. 9º da Lei 9.613/1998: bancos e instituições de pagamento, corretoras, seguradoras, prestadoras de ativos virtuais, imobiliárias, joalherias, revendas de bens de alto valor, factorings, cartórios, juntas comerciais e os demais setores da lista. O relatório traz a série de comunicações por setor de 1998 a 2025 em gráfico; o texto dá o total.

O relatório descreve os dois tipos de comunicação do art. 11 da lei. O primeiro, que o relatório chama de COE, é o reporte de operação individual "sem a necessidade de maiores detalhamentos", com valor, titular, quem fez a operação, dono do dinheiro e dados da conta. O segundo, a comunicação de operação suspeita (COS), nasce do processo de conhecer o cliente e da devida diligência, e é dela que depende a qualidade da inteligência.

os números do Coaf em 2025, segundo o Relatório de Gestão Integrado
Indicador2025
Comunicações na base de dados (acumulado)Mais de 65 milhões
Comunicações recebidas de pessoas obrigadas no anoCerca de 7,6 milhões
Relatórios de Inteligência Financeira produzidos20.548
Difusões de RIF a autoridades (um RIF pode ir a mais de uma)23.576
Intercâmbios com autoridades nacionais pelo SEI-C24.378
Encontros de retorno com instituições que comunicam44

A série de RIFs mostra o crescimento: 3.178 em 2014, 7.350 em 2018, 11.693 em 2020, 16.411 em 2023, 18.759 em 2024 e 20.548 em 2025.

O que acontece com a comunicação que não descreve nada

O trecho mais útil do relatório para quem redige comunicação é o do fluxo de análise. A primeira etapa é automática: o sistema do Coaf aplica "regras de diferimento automático", em geral a dois grupos, operações comunicadas de forma automática cujas partes têm "baixíssimo risco associado" e "comunicações de operações suspeitas que não apresentam detalhamento mínimo da atipicidade identificada". A comunicação diferida "permanece na base de dados para consulta, mas não segue para as etapas seguintes do processo".

Depois vêm um modelo estatístico que seleciona e pontua o que não foi diferido, a análise individual de um analista com uma matriz de risco e, para risco médio ou alto, a abertura de um "Caso" que reúne outras comunicações sobre os mesmos envolvidos, inclusive as diferidas. O caso é analisado por outro analista e pode virar RIF. O caminho completo, e quem pode ler o relatório, está em o que o Coaf faz com a comunicação.

A leitura prática é da casa, mas sai direto do texto do Coaf: uma comunicação suspeita que só diz "movimentação atípica" corre o risco de ser diferida. O que descreve o fato, a incompatibilidade com o perfil e o motivo da suspeita, como pede o dossiê de análise, é o que segue.

A fiscalização do Coaf em 2025

O Coaf também é supervisor: fiscaliza quem não tem regulador próprio (factoring, bens de luxo ou de alto valor, joias, pedras e metais preciosos e transferência de atletas e artistas). Os números do ano:

  • 18.672 pessoas obrigadas cadastradas em dezembro, e cerca de 649 mil outras que, pela estimativa do próprio Coaf, também deveriam estar.
  • 277 averiguações preliminares concluídas (25 amplas e 252 objetivas), das quais 60 com proposta de processo sancionador. Cerca de 70% das objetivas terminaram com a correção da inconformidade.
  • 37 processos sancionadores julgados e R$ 96,9 milhões em multas: R$ 39,8 milhões no setor de joias, pedras e metais preciosos, R$ 33,1 milhões em bens de luxo ou de alto valor e R$ 23,9 milhões em factoring.
  • A não comunicação de operações respondeu por 54% do valor médio das multas a empresas no ano.
  • O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional julgou 13 recursos contra decisões do Coaf; o relatório detalha 12 desfechos (6 mantidas integralmente, 5 reformadas em parte e 1 não conhecido) e uma redução aproximada de 7,4% sobre os valores originais.

Desde a criação até o fim de 2025, o Coaf instaurou 786 processos sancionadores: 276 em factoring, 268 em bens de luxo ou de alto valor, 187 em joias, pedras e metais preciosos, 54 no antigo setor de assessorias e 1 em transferência de atletas ou artistas. As multas acumuladas desde 2006 somam R$ 341,7 milhões.

De onde vêm os números, e em que situação estão

O Relatório de Gestão Integrado é a prestação de contas anual do próprio Coaf, e os números de fiscalização vêm do Siscoaf; o quadro das averiguações traz data-base de 21 de janeiro de 2026. As multas de 2025 são decisões de primeira instância do Plenário do Coaf, que cabem recurso ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional; o valor somado não é, portanto, valor definitivo, e o próprio relatório mostra o resultado dos recursos julgados no ano.

O que tirar daqui

Para a instituição que comunica, o número que importa é o do diferimento: comunicar não basta, é preciso descrever. Para o setor que o Coaf fiscaliza, o número que importa é o de 649 mil obrigados fora do cadastro e o peso da não comunicação nas multas; o cadastro no Coaf e a comunicação de não ocorrência são o começo. Como as decisões do Plenário chegam a esses valores está em processos do Coaf no setor não financeiro, e a escada de sanções em quanto custa falhar em PLD.

Fontes citadas

  • Coaf, Relatório de Gestão Integrado 2025, seções "A tríplice função do Coaf", "A inteligência financeira em números", "Relatórios de Inteligência Financeira", "Supervisão em números", "Processos Administrativos Sancionadores" e "Aplicação de multas", em gov.br/coaf
  • Lei 9.613/1998, arts. 9º, 11 e 15, texto compilado no Planalto
  • Lei 13.974/2020, art. 6º, § 1º, no Planalto